sexta-feira, 13 de março de 2015

Footwear: Nike Air – a evolução da tecnologia aparente

Todos já usaram/usam o Nike Air, o meu primeiro foi quando eu tinha 8 anos... Enfim, já faz parte da nossa história e achei super bacana essa matéria da Nike mostrando a evolução dessa tecnologia que amamos.

Em 1987, a tecnologia Nike Air não era mais uma novidade. Isso porque os corredores já estavam familiarizados com os seus benefícios de amortecimento, que apareceram pela primeira vez no Nike Tailwind, em 1978. De qualquer forma, é preciso ver para crer.
Por isso, o lendário designer da Nike, Tinker Hatfield, tornou essa teconolgia visível para que os corredores pudessem entender melhor suas vantagens. Foi assim que ele criou o Nike Air Max 1, um modelo que deu origem a um ícone cultural que mudou para sempre a história dos tênis.  

Entretanto, ao contrário do que muitos pensam, a história do Air visível não começou com o projeto de Hatfield, mas sim em 1985, quando o atual diretor de inovação de amortecimento da Nike, David Forland, entrou na equipe da marca. Maior especialista do mundo em Air visível, nos últimos trinta anos o foco de Forland tem sido promover a tecnologia em territórios inimagináveis.  Por isso, é ele o primeiro a admitir que a consolidação da família Air Max teve que superar mais obstáculos do que a maioria das pessoas imagina. 
No início do projeto Air Max, o foco da Nike era exatamente o desenvolvimento de uma capsula de Air visível, uma tarefa difícil de ser realizada naquela época. Em razão disso, Forland, ainda construindo os protótipos encapsulados à mão, era frequentemente questionado quanto à forma de construção da peça O resultado disso foi a criação de um protótipo que continha as costuras situadas não no perímetro, mas na parte superior e inferior da cápsula. 



Assim nasceu o primeiro protótipo de tênis com tecnologia aparente, que mais tarde deu origem ao Nike Air Max 1, o primeiro modelo a expor esse elemento antes invisível. De acordo com Forland, nessa época as cápsulas de ar ainda eram desenhadas para serem cada vez mais finas, visando facilitar o processo de fabricação.
"Queríamos voltar a injetar mais ar na sola para alcançar uma forte sensação de amortecimento sob o pé”, lembra ele.
Por isso, num esforço para aumentar a sensação de andar sob o ar, o designer tratou de mudar rapidamente a abordagem no desenvolvimento da tecnologia.
"Se você olhar para a história do Air Max, especialmente de 87 a 93, uma das principais diferenças entre os modelos era a forma como cada um continha um volume maior de ar do que o seu anterior, e, portanto, uma quantidade menor de espuma. A espuma se decompõe, mas o ar não”, explica.
Durante a busca pelo aumento de volume de ar, veio uma luz: eliminar a espuma entre a sola e a cápsula de Air poderia criar espaço para aumentar esse volume. Com essa ideia, veio o Air Max 180, o primeiro a contar com uma cápsula de Air visível em 180 graus. Porém, essa não foi uma tarefa fácil para Forland.
"Era muito mais fácil de falar do que fazer. O Air Max 180 foi um dos tênis da família Air Max mais difíceis de criar”, recorda ele.
Naquela época, os Air Max 1, 180 e 90 tinham cápsulas de Air no antepé, mas todas elas eram totalmente encobertas e não podiam ser vistas. À medida que a busca por um tênis de corrida completamente sem espuma continuava, foi feita uma descoberta monumental que veio na forma de um novo método de construção da cápsula de Air, chamado moldagem por sopro.
Usada pela primeira vez no Air Max 93, essa técnica permitiu a criação de cápsulas de Air em formas 3D que não dependiam de pressão. Isso significava que elas poderiam ser feitas para se ajustar à curvatura da parte dianteira do pé. Aproveitando ao máximo a inovação, o Air Max 95, que tinha duas unidades moldadas por sopro separadas das cápsulas, foi a primeira manifestação de ar visível na parte dianteira do pé.
Em 1997, o processo para introduzir uma cápsula de Air em todo o solado foi desenvolvido sem economia de esforço de fabricação, desenvolvimento e design. O primeiro passo foi uma unidade de calcanhar e antepé interligada. A próxima tarefa era descobrir como segurar a película fundida por tempo suficiente para fechar um molde 3-D ao longo do comprimento em torno dela. Muitos protótipos e algum tempo depois, o Air Max 97 foi criado.
Após desenvolver o Air ao longo do solado, as ideias em torno dele pareciam intermináveis. Assim, a Nike começou a se concentrar em outras formas de amortecimento, como a Tuned Air. Vista pela primeira vez em 1999, no Air Max Plus, ela também ajudou a aumentar a estabilidade do amortecimento Nike Max Air

A próxima forma de inovação veio com o Air Max 360, de 2006, que finalmente conseguiu o objetivo de remover completamente a espuma da fabricação do tênis. Para criar o Air Max 360, ao invés de espuma, a equipe de Forland utilizou a tecnologia Caged Air como estabilizadora, atingindo finalmente, vinte anos após o início do projeto, o objetivo de um tênis Air Max sem espuma.

A conquista de um solado todo em ar não foi o fim da evolução do Air Max. A Nike alcançou seu sonho, mas não conseguiu resistir à possibilidade de melhorá-lo ainda mais. Para isso, Forland e a equipe mudaram o foco da eliminação de espuma para aumentar a flexibilidade. Utilizando uma construção tubular, fendas flexíveis foram criadas para as cápsulas de Air do Air Max 2015, resultando na plataforma de amortecimento Max Air mais flexível que já existiu. 

Após a longa jornada, Forland aprendeu que a inovação nunca vem sem risco.
"Eu me lembro da primeira cápsula de Air moldada por sopro. Nós trabalhamos arduamente nela e não sabíamos se as pessoas iriam adotá-la", diz Forland. "Eu me lembro de estar em um aeroporto bem na época do primeiro tênis Air Max ser lançado. Eu estava ligando para um técnico no laboratório quando alguém passou por mim vestindo um par. Eu olhei para ele da cabine de telefone e disse: 'Alguém comprou. Eu estou vendo o tênis na minha frente’. Risco grande. Recompensa maior. Para o Air Max, agora é só sucesso daqui para frente”. 

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