domingo, 31 de julho de 2011

Über- andrógino: O gênero neutro invade as ruas, a noite e a TV


Não chega ser um estudo antropológico, mas a matéria do Megazine do O GLOBO sobre a androginia ficou super bacana e mostra como o assunto está ficando popular saindo do glamour fashion e ganhando as telas da TV Glogo e atingindo a massa... Vamos a matéria: "O gênero neutro invade as ruas, a noite e a TV. Saiba o que os andróginos, que misturam referências masculinas e femininas, querem dizer"

Nos anos 60, representados por ícones como a modelo Twiggy, a turma da Tropicália e os cantores Mick Jagger e David Bowie, eles eram o máximo da contestação e da contracultura. Agora estão em "Malhação", nas ruas e em qualquer boate perto de você. Mas os jovens andróginos do século XXI, que cruzam referências masculinas e femininas por pura estética, mantêm pelo menos algo em comum com os "teóricos" do movimento: continuam a confundir muita gente - e a se divertir com isso.

No mundo da moda, o gênero neutro já é explorado à exaustão há décadas. Mas recentemente ganhou nova dimensão: com feições ultrafemininas, o modelo sérvio Andrej Pejic tem desfilado vestido de mulher e, é claro, de homem, como ocorreu no último Fashion Rio. E o reverso da moeda também já rola: a brasileira Carla Monfort, de 19 anos, da agência Oca Models, chamou a atenção na São Paulo Fashion Week ao usar roupas masculinas na passarela. 

- Apenas sou assim. Gosto de looks masculinos e femininos, depende do humor. (A busca da) liberdade foi o motivo para eu curtir brincar com esse visual. O biotipo ajuda - ela diz. 

Andrej contou em entrevista coletiva no Rio que a razão pela qual prefere desfilar vestido de mulher é "o glamour": 

- Prefiro as roupas femininas. Até à praia vou de biquíni! 

O mundo fashion os glamouriza. A militância LGBT tem até uma maneira de se referir a el@s - assim mesmo, com essa arroba no lugar do "a" e do "e", num claro recado: cada um escolhe o gênero que quiser. Nas ruas, porém, o papo é outro. Muitos andróginos ainda são vítimas de xingamentos e agressões.

Mas isso está mudando. Até a TV já discute o tema com naturalidade. Nesta temporada de "Malhação", Duda, vivida por Nathalie Jourdan, de 18 anos, é uma menina de cabelos curtos, roupas largas e jeito de moleque, que confundiu uma personagem, atraída por ela. Duda foi descrita pela garota como "o cara mais legal que já conheci". 

Em Hollywood, a atriz Evan Rachel Wood, de 23 anos, surpreendeu com um visual andrógino no lançamento da nova temporada de "True Blood", em junho. Ela vestia colete com decote, sem camisa, calça de alfaiataria e suspensórios. 

- Cresci apaixonada pelo David Bowie. Sempre gostei muito de coisas andróginas. Estou constantemente mudando e crescendo. Apenas tento manter o mistério. E espero que as pessoas não me apontem dedos - disse numa entrevista recente. 

Para a antropóloga Mirian Goldenberg, já não há transgressão na androginia. Mirian compara a atual geração com o cartunista Laerte, que recentemente, aos 60 anos, expôs seu lado crossdresser. Ele apareceu na mídia vestido de mulher e revelou que frequenta clubes onde troca experiências com outros homens que fazem o mesmo. 

- Laerte está militando com o corpo, ele quer mostrar que identidade sexual é algo que se constrói, ao passo que os jovens de hoje estão apenas exercendo seu gosto, que diz: "tanto faz o que a sociedade admite. Isso é o que eu sou". 

Que o diga o artista cearense Daniel Peixoto, de 26 anos, ex-membro da dupla de electropunk Montage e atualmente DJ e performer em Berlim. 

- Acho interessante a provocação. Um rapaz que parece mulher é sempre curioso. Mesmo inconscientemente, nós, jovens, fazemos uma revolução social, ao sermos autênticos e livres - diz o músico, que tem um filho de 2 anos ("espero que ele me aceite") e já namorou homens e mulheres. 
 
Outro performer da noite, o carioca Flávio Ghidalevich, conhecido por seu alter ego Miss Playmobil, lembra que já aos 14 anos se percebeu diferente e sofreu por não ser como a maioria na escola. 

- Sempre fui apontado. Apesar de não ir montado à escola, tinha um lado feminino forte. Se você é um roqueiro heterossexual e se monta com cabelão e calça de couro apertada, as pessoas o respeitam. Mas, se você é delicado, isso incomoda. Nunca fiz nada para chocar. Acho natural me vestir assim. 

A editora jovem do portal inglês WGSN, Laura Jane, crê que a tendência é que cada vez mais gente ache natural: 

- Já não se tacham mais produtos e roupas como estritamente masculinos ou femininos. Pensarmos em um gênero neutro permite que nos livremos de ideias preconcebidas e sejamos aceitos por nossos méritos.
Essa é a principal busca de garotos e garotas andróginos que encontramos nas ruas do Rio. 

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/megazine/mat/2011/07/04/o-genero-neutro-invade-as-ruas-noite-a-tv-saiba-que-os-androginos-que-misturam-referencias-masculinas-femininas-querem-dizer-924834031.asp#ixzz1TiLXLUfJ
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