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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ipanema: um celeiro de tendências

Cantada em verso e prosa e conhecida internacionalmente como o lugar onde a menina, linda e cheia de graça, segue, com seu doce balanço, a caminho do mar, Ipanema é, sem dúvida, junto com Copacabana, o lugar que reúne o maior número de elementos que compõem o imaginário sobre o Rio de Janeiro (e o Brasil) dentro e fora do país.

ipanema

Sua praia aparece na edição especial da revista Época “O melhor do Rio” como um dos destaques da cidade e a preferida dos leitores. São dois quilômetros de extensão onde tudo parece exaltar a diversidade, a mistura, os antagonismos, os contrastes, a beleza, o contato com a natureza, a descontração e a transgressão que fazem parte do lifestyle carioca.

Galera de Ipanema

Não podemos esquecer, porém, da Ipanema mais sofisticada, dos negócios arrojados, do consumo, do culto ao corpo, da moda, da gastronomia, que não parou de crescer nas últimas décadas, trazendo novos e importantes elementos para as representações sobre o bairro e para o seu desenvolvimento. 

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Para conversar conosco sobre as diferentes facetas de Ipanema, convidei a antropóloga Marisol Goia, Mestre em Sociologia e Antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com a dissertação “A província da Ousadia: Representações Sociais Sobre Ipanema” e Doutoranda em Antropologia Urbana pela Universidade de Tarragona, Espanha.  

Marisol

Marisol, o que te levou a estudar as representações sobre o bairro de Ipanema?
MG: Tive motivações pessoais e intelectuais para a pesquisa sobre Ipanema. Residi ali desde pequena, com uma constante sensação de que havia “algo equivocado”, pois morar em um apartamento confortável nesse bairro não era condizente com as condições financeiras da minha família. Sob o aspecto econômico, éramos, sem dúvida “peixes fora d`água” de Ipanema, pagando com muito sufoco taxas elevadas de aluguel e condomínio. Por outro lado, comecei a perceber, sobretudo quando entrei na universidade e passei a freqüentar circuitos para além da Zona Sul, que a contradição que eu vivia não me livrava de ser identificada (e, às vezes, até mesmo estigmatizada) como uma pessoa que não só era “de Zona Sul”, como vivia na “nata” dessa zona. Observar de perto esses sistemas de rotulação referentes às zonas e bairros cariocas, vivendo, simultaneamente, a ambigüidade de estar em um bairro rico sem ser rica, me levou a refletir sobre a construção de fronteiras simbólicas na cidade do Rio de Janeiro. Com relação às motivações intelectuais, observava como os meios de comunicação produzem e reproduzem representações sobre o bairro de Ipanema, recorrendo a idéias diferentes e que, por vezes, se contradizem: Ao mesmo tempo em que Ipanema é divulgada como um emblema do “espírito carioca”, também aparece como um bairro distintivo e requintado. O ipanemense é associado a estilos de vida transgressores, inovadores e vanguardistas, mas também é valorizado por comportamentos de conformidade normativa, como o estilo de vida consumista e a busca pelo corpo perfeito. Diante disso, me interessei em analisar a construção simbólica dessas duas “Ipanemas”.

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Nessas representações, que elementos compõem o que podemos chamar de “DNA Ipanemense”?
MG: De um lado, temos a Ipanema das décadas de 60 e 70, enaltecida pelo seu caráter libertário, transgressor, boêmio e inovador. Por outro, temos a Ipanema atual, associada a valores como elegância, sofisticação, moda, consumo, despojamento, beleza e corpo em forma. Poderíamos dizer que o primeiro “DNA ipanemense” se encontraria no corpo de Leila Diniz e de Fernando Gabeira, insistentemente associados ao bairro pelas polêmicas geradas pela exposição de seus corpos; ela, uma atriz grávida de biquíni, e ele, um ex-exilado político de tanga.

Leila e Gabeira

Com relação à Ipanema de hoje, as personalidades que costumam aparecer nos meios de comunicação como portadoras do “DNA ipanemense” são a apresentadora Cynthia Howlett, representante do “despojamento” da geração-saúde das elites, e os empresários Alexandre Accioly, o galã bem-sucedido dos estabelecimentos “badalados” da cidade¸ e Oskar Metsavaht, proprietário e estilista da grife Osklen.

Descolados

 Antes representada por intelectuais, artistas e boêmios e hoje associada ao que você chama de uma “aristocracia informal”, à sofisticação e a uma ética do consumo. O que mudou e o que permaneceu o mesmo nas representações sobre Ipanema?

MG: É interessante observar como essas duas representações sobre Ipanema ainda convivem, pois o passado do bairro continua sendo lembrado e, inclusive, construído no presente. A Ipanema de antes é uma referência central para a de hoje, ainda que os mais nostálgicos afirmem que “aquela” Ipanema acabou. É verdade que cada uma evoca éticas próprias de seu tempo, mas isto não significa que certos aspectos não tenham permanecido. Acredito que continue havendo uma relação significativa entre a praia de Ipanema e os jovens da cidade – já que ela atrai freqüentadores de diversas procedências, tanto da cidade, como de fora dela. Penso que essa relação com a juventude contribui para o fenômeno tradicionalmente associado a Ipanema: ser “um bairro que lança modas”.

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Estudos sobre tendências comportamentais realizados pelo Observatório de Comportamento e Consumo do SENAI/ CETIQT, em parceria com o instituto italiano Future Concept Lab, revelam a emergência de um estilo de vida urbano, que valoriza o despojamento (não ostentação), o contato com a natureza e a sustentabilidade. Diante desse cenário, você considera que o bairro de Ipanema ocupa um lugar estratégico no Brasil?
MG: Sem dúvida. A representação da Ipanema praiana, descolada, “de chinelo tomando água de coco”, mas que – e isto é importante – não deixa faltar sua dose de elegância e “classe” é muito lucrativa!

Lojas

Basta observar como a identidade de marca e o estilo de certas lojas se ancoram nas simbologias do bairro. O caso da Osklen é ilustrativo desse fenômeno. Em 2004, por exemplo, a grife lançou uma coleção chamada “United Kingdom of Ipanema”, estampando referências do bairro, como “Arpoador” e “Posto 9″ em roupas e acessórios. A explicação de que “Ipanema tem uma vida urbana cosmopolita integrada à natureza” foi inclusive o argumento utilizado por Oskar Metsavaht para falar à imprensa sobre a inspiração para essa coleção.

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Fonte:http://www.cetiqt.senai.br/blog/comportamento/index.php

sábado, 14 de novembro de 2009

A cara do verão 2010 em 24 vitrines




O shortinho, grande candidato ao título de peça-chave do verão, aparece na Carina Duek em versão alfaiataria


                                             

Mob traz o comprimento curto em tudo: na saia, no vestido e até na barra dobrada da calça - além de brilhos e o cropped da blusa central






As opções são variadíssimas nas vitrines dos Jardins - a Le Lis Blanc tem calças compridas, item difícil de achar atrás dos vidros

"o que as vitrines das lojas vão dizer sobre a cara do verão 2010"? Afinal, é atrás dos vidros que cada marca apresenta a síntese do que propõe para a estação.



Em voltinha pelos Jardins, o bairro que reúne as mais conhecidas lojas de moda de São Paulo, procuramos por peças, cores e efeitos em comum. O resultado? O único ponto de convergência entre a maioria das 24 lojas fotografadas é o comprimento, bem curto - e que não é novidade.

O mesmo aconteceu ao ouvirmos quatro stylists. Assim como no editorial da Gloria, três deles citaram os curtos - vários dedos (e às vezes, até mãos) acima dos joelhos - como o comprimento do momento.

Aquela peça desejo que caracteriza uma temporada e vira febre entre fashionistas ainda não foi exatamente detectada. Mas algumas possibilidades começam a se delinear, como o vestidinho e o shortinho - tecido, modelagens e cores a escolher. Confira abaixo as apostas dos stylists para o verão 2010 e, na galeria ao lado, as vitrines dos Jardins. E então, como você vai se vestir nesses próximos meses de calor?

Da mesma reunião do Chic de onde saiu o último editorial da Gloria Kalil, também saiu a pergunta: "o que as vitrines das lojas vão dizer sobre a cara do verão 2010"? Afinal, é atrás dos vidros que cada marca apresenta a síntese do que propõe para a estação.


As apostas de...

Chialin Chiang

. Shortinhos bem curtos, tipo hot pants;

. Muito verde, azul e gelo;

. Vestidinhos curtos, cocktail dresses e o bandagem;

. Tudo com saltão bem alto.

Cristina Gabrielli

. Comprimentos curtos; joelho aparecendo;

. Brilho durante o dia (de paetês e tachas);

. Renda na balada, para dar aquele efeito esconde-e-mostra e ficar fresco.

David Pollack

. Pernas de fora em vestidos leves, com cintura marcada e saias tulipa com cintura mais alta;

. Acessórios étnicos, como colares e pulseiras com cara art déco ou turco e lenços;

. Jeans délavé.

Marina Franco

. Turquesa, amarelo e bege. “Além de preto e branco, sempre”, diz Marina;

. Blusas de algodão, escarpins e blazers;

. Tudo sempre misturado com peças antigas.



Vermelhos e laranjas dominaram algumas vitrines, como Gloria Coelho...




... E nos cocktail dresses de Reinaldo Lourenço




Na Huis Clos, pernas de fora com neutro+coral



Na Maria Garcia, o vestidinho curto tem modelagem solta e estampa





O vestidinho azul de Alexandre Herchcovitch ganha companhia
de sapatos masculinizados na vitrine





Cores fortes + neutros nos vestidinhos da Osklen



Na vitrine da Forum, muito gelo e azul, cores fortes para o verão



Veja a matéria completa em: http://chic.ig.com.br/materias/517501-518000/517529/517529_1.html

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

As lingeries estão em alta


              Dior, Yves Saint Laurent, John Galliano e Pringle of Scotland ©FirstView



Esqueça as formas tradicionais de se usar uma lingerie: neste verão, a ideia é revelar mais do que esconder.

Nas coleções para o inverno 2009, que foram desfiladas no início deste ano lá fora, assistimos um mar de corsets definir a cintura das modelos em várias grifes. Meses depois, John Galliano, na Dior colocou modelos literalmente seminuas na passarela, evidenciando calcinhas, corsets, cintas-ligas e sutiãs. Na época (junho deste ano), poucos apostaram que a alta-costura da Dior estaria anunciando uma nova macrotendência.

Ao mesmo tempo em que o foco da silhueta feminina se deslocou dos ombros para o quadril, a lingerie se tornou peça-chave nas coleções para o verão 2010, colocando a feminilidade como uma das principais vontades (macrotendências) da temporada. Através de rendas e tecidos transparentes, os bustiers e sutiãs surgem em destaque no look. Calcinhas de modelagem ampla – num mix de hotpants e maiôs esportivos – transformam o underwear em outerwear, e vestidos extremamente leves, de formas soltas e desestruturadas, trazem de volta a moda dos camisole (vestidos que parecem camisolas).

O uso de lingeries nas passarelas não é exatamente uma novidade. Desde os Anos 40, as peças de uso íntimo têm sido exploradas com a finalidade de provocar e seduzir, ora remetendo ao poder, ora colocando a mulher no papel de objeto sexual. Recentemente, marcas como Nina Ricci, Marc Jacobs e Fendi investiram em formas nada óbvias de revelar o underwear fugindo dos clichês e retratando a realidade da mulher contemporânea.


É justamente assim que surge o boudoir (do francês, indica o quarto privativo onde mulheres trocavam de roupas nas Idades Média e Moderna) do verão 2010. Como uma afirmação de feminilidade. Uma feminilidade que não necessariamente remete à fraqueza ou submissão, mas sim à maturidade, independência e auto-suficiência. Se tais leituras ainda são possíveis, então elas devem ser entendidas não mais como condições, e sim como opções: a mulher atual não precisa ser independente e madura, mas ela pode escolher ser independente e madura. E isso se reflete no seu guarda-roupa.

Na vida real, a lingerie deve vir de forma um pouco mais sutil. Para interpretações mais literais – e também mais ousadas – vale deixar o sutiã ou bustier escapar propostialmente pelo decote ou optar por uma peça de contraste, por exemplo, um sutiã numa tonalidade que transborda sutilmente pela transparência de uma camisa. Vestidos e blusas com estruturas de corset, junto com as rendas, também remetem ao universo do underwear e oferecem mais segurança para as inseguras. O mesmo vale para os camisole, que são opções extremamente sofisticadas de todo esse clima boudoir.

Fonte: http://www.spfw.com.br/noticia_det.php?c=4404

Über Fashion

O Über Fashion existe desde 2009 e tem como publisher o blogger Fábio Monnerat.

O blog ainda conta com colunistas convidados.

O blog é indicado pelo EnModa e pelo curso de Fashion Business da FGV-RIO, já promoveu a abertura do verão de Búzios e faz palestras sobre moda masculina e comunicação de moda em todo o Brasil.

Alguns dos nossos parceiros: Handred, Cavalera, Profuse, Divertees, Poggio, Von Der Volke, Natura, Vichy, La Roche-Posay, Couthe, SkinCeuticals, Joias
Coacci, Sobre Barba,

Sua marca no Über, escreva para: ubermcom@gmail.com