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sábado, 27 de julho de 2013

Trabalho escravo na Le Lis Blanc



A parede é de tijolos aparentes, com reboco improvisado e tábuas tapando as janelas. O piso é de cimento, coberto de retalhos, linhas e sujeira. Há fios de eletricidades puxados de maneira improvisada por todos os lados, alguns perigosamente próximos de pilhas de tecido, e, em um canto da improvisada oficina de costura, uma caixa d´água. Para ficarem mais próximos das máquinas, os lustres pendem do teto amarrados por cordões em que é possível ler “Le Lis Blanc”, nome de uma das grifes mais caras do país. Espalhadas nas mesas estão etiquetas da marca, peças finalizadas e guias com orientações sobre tamanho e corte. Em cômodos próximos, ficam os trabalhadores bolivianos, vivendo em beliches em quartos apertados, alguns com divisórias improvisadas, recebendo por produção e cumprindo jornadas exaustivas.


Oficina em que eram costuradas peças da Le Lis Blanc. Fotos: Anali Dupré

A descrição é de uma das três oficinas em que costureiros que produziam peças da marca Le Lis Blanc foram resgatados durante fiscalização realizada em junho, acompanhada pela Repórter Brasil. Com algumas variações, o cenário de degradação humana foi o mesmo encontrado em outras duas unidades de produção de peças da marca. Todas as três oficinas com problemas eram “quarteirizadas”. Duas empresas intermediárias encomendavam as peças e as repassavam para a grife de luxo. Mesmo assim, de acordo com o auditor fiscal Luís Alexandre Faria, que participou da ação, não há dúvidas sobre a culpa da Restoque S.A, empresa dona da marca Le Lis Blanc, em relação às condições em que os trabalhadores foram resgatados. Ele ressalta que não só foi caracterizada terceirização da atividade fim, o que por si só já configuraria a responsabilidade do grupo, como também nesse caso ficou evidente a ligação direta da empresa com a organização da linha de produção.

Segundo ele, toda cadeia produtiva estava baseada em encomendas da Le Lis Blanc. Ele estima que 90% das encomendas das intermediárias eram da grife e que 100% da produção das oficinas era de peças da marca. Quando a fiscalização foi feita, as oficinas estavam paradas, devido a um cancelamento repentino de encomendas. “Isso só agravou a situação, pois tirou a única possibilidade de subsistência dos trabalhadores que costuravam para a empresa”, explica o auditor. “O principal problema que encontramos foi o fato de trabalhadores morarem e viverem no mesmo local”, completa. Ao todo, 28 pessoas foram libertadas, incluindo uma adolescente de 16 anos. Também foi caracterizado tráfico de pessoas para fins de exploração de trabalho em condição análoga à de escravo, conforme previsto no Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, e na Instrução Normativa n. 91 da Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego.

Além de submetidos a condição degradantes e jornada exaustiva, muitos dos resgatados estavam presos a dívidas, o que também configura escravidão contemporânea. Todos resgatados são bolivianos.

Registro de dívida por passagem em caderno encontrado na oficina

A ação foi coordenada pelo auditor fiscal Renato Bignami, e, além de Luís Alexandre Faria, contou também com a participação de Letícia Emanuelle Bill, os três vinculados à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP). Também participaram Christiane Vieira Nogueira e Tiago Muniz Cavalcanti, procuradores do Ministério Público do Trabalho; Jairo Diniz Dantas, auditor da Receita Federal; Fabiana Galera Severo, da Defensoria Pública da União; Adriana Aparecida Mazagão, do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do governo de São Paulo; e os policiais Eduardo Xavier dos Santos, Gilberto Paula de Moura e Samuel de Freitas, da 1ª. Delegacia de Polícia de Proteção à Pessoa da Polícia Civil de São Paulo. O trabalho foi acompanhado pela juíza Patrícia Terezinha de Toledo, da Vara Itinerante de Combate ao Trabalho Escravo.

Segundo a SRTE/SP, a diretoria da Le Lis Blanc assumiu a responsabilidade pelo caso, fazendo o registro e regularizando o pagamento de encargos de todos os trabalhadores, incluindo direitos retroativos referentes ao período em que ficou comprovado que os costureiros trabalharam para o grupo. As indenizações pagas diretamente aos resgatados chegaram a cerca de R$ 600 mil, ainda segundo as autoridades. Procurada, a empresa, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou o seguinte: ”Recebemos em 22 de julho de 2013 autuação do Ministério do Trabalho e Emprego envolvendo empresas que não conhecemos e com as quais não temos relacionamento. Tal autuação envolve valores estimados entre R$ 50 mil e R$ 150 mil. Cumprimos integralmente a legislação trabalhista nas relações com nossos colaboradores e tomamos os mesmos cuidados com nossos fornecedores. Analisaremos as bases de tais autuações e apresentaremos defesa oportunamente”.

Contrastes
Os costureiros ganhavam por produção e cumpriam jornadas de pelo menos dez horas diárias. Os entrevistados afirmaram trabalhar das 7h ou 8h às 17h, 18h ou 19h de segunda-feira à sexta-feira, e das 7h ao meio-dia de sábado. Alguns dizem ter cumprido regularmente jornadas de até 12 horas e trabalhado sem descanso semanal, preocupados em juntar dinheiro ou em conseguir pagar dívidas contraídas com os empregadores. Segundo os depoimentos, em média o valor pago por peça variava de R$ 2,50 a R$ 7.

Algumas das peças à venda no site da empresa. Reprodução: Le Lis Blanc

Nos shoppings, as roupas com a marca Le Lis Blanc são vendidas por até 100 vezes mais. Conforme informações disponíveis no site da empresa, uma calça da grife pode chegar a custar R$ 1.999,50, uma saia R$ 1.350,00, um vestido R$ 999,50, blusas e camisas R$ 599,50, e uma regata R$ 359,50. Em casos excepcionais, para peças delicadas e de difícil corte, costureiros experientes afirmam ganhar até R$ 30. A peça mais cara no catálogo virtual da grife é a jaqueta Aspen, vendida por R$ 2.290,00.

Na nota fiscal de intermediária, R$ 2,50, o valor que os costureiros receberam por unidade. Na imagem em destaque, R$ 379,50, valor que a calça “Ana Luiza” é vendida no site da Le Lis Blanc. Foto: Anali Dupré e Reprodução/Le Lis Blanc

“É um absurdo essa diferença entre o que a gente ganha e o preço que eles cobram pela peça, a gente sabe, mas a gente não pode fazer nada. Se eu costurar a mesma peça e tirar a etiqueta, ninguém paga esse valor”, afirma um dos costureiros resgatados. “Para o dono de uma fábrica, é fácil falar: ‘essa peça é fácil de costurar’. Mas não é um trabalho qualquer. Eu tenho orgulho do que eu faço, cada pessoa nasce com um talento e deveria ser valorizada por isso”.

No caso da Le Lis Blanc, o contraste entre as condições em que as peças são produzidas e os locais em que elas são vendidas também chama atenção. Em shoppings, as lojas da grife são luxuosas, com vendedoras produzidas conduzindo clientes entre tapetes delicados, poltronas e ricos objetos de decoração. Todas as unidades da rede têm o mesmo perfume e é possível comprar a essência. Um potinho de 100 ml custa R$ 79,50.

É o mesmo valor que alguns dos costureiros resgatados afirmaram receber para fazer costurar cerca de 11 peças da grife.

Fonte:Reporterbrasil.org

terça-feira, 24 de julho de 2012

Penélope Cruz para Le Lis Blanc Beauté



A Le Lis Blanc Beauté, marca de cosméticos da Le Lis Blanc, acaba de anunciar o rosto de sua 1a campanha: a atriz espanhola Penélope Cruz. O ensaio foi produzido no Pier 59 Studios, em NYC, com o fotógrafo Kenneth Willardt.  

Lançada no último mês, a Le Lis Blanc Beauté oferece um mix completo e sofisticado com mais de 200 itens que vão desde produtos para limpeza, bem estar e maquiagem até acessórios. A linha já está disponível nas 72 lojas da rede Le Lis Blanc, e em breve, nos 30 quiosques Le Lis Blanc Beauté que serão inaugurados até o final de 2012.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Varejo de Moda - Como vender para mulheres



Imagino que quando você leu o título deste artigo deve ter pensado: “As mulheres já não são compradoras natas ? Eu preciso saber como vender para elas?”

Até concordo com você e com o cientista de compras Paco Underhill que afirmou “Comprar é Feminino”, mas acredito também que se uma loja conhece bem como uma mulher realmente deseja comprar, há ainda chances de ela vender mais e mais para elas.

Então, é sobre este assunto o artigo desta semana: como vender mais e melhor a moda para as mulheres, que ao mesmo tempo em que parecem ser tão reveladoras das suas necessidades, muitas vezes escondem, com a intenção de serem surpreendidas, seus reais desejos.

É importante saber que se sua loja vende produtos relacionados à moda, como roupas, calçados e acessórios, a sua loja já tem meio caminho andado. A moda é para as mulheres, o que o futebol é para os homens. Mulheres a-d-o-r-a-m comprar moda! Gostam muito mais de comprar moda do que fazer compras no supermercado, comprar automóveis, eletrônicos ou apartamentos.

Contudo, há algumas características só das mulheres, que as tornam compradoras que merecem a atenção especial de todo o varejista de moda.

Vamos lá, para 3 delas!
1)    Para as mulheres TUDO tem importância!
Se às vezes você está um pouco desanimado com sua loja, e relaxa um pouco em decoração, limpeza, vitrines, arrumação dos produtos, brindes ou eventos, CUIDADO! As mulheres percebem qualquer lapso seu, e pior, tiram suas conclusões: “esta loja não vai bem”, “os produtos devem estar desatualizados”, “ não pagam bem funcionários” e outras mais igualmente negativas.

Em contrapartida, cada mudança, cada capricho, cada detalhe diferente na loja, elas reconhecem e também tiram suas conclusões: “esta loja sempre tem novidades!”, “esta loja está crescendo!”, “seus produtos só podem ser atualizados”

Portanto, caro lojista, a dica para vender para mulheres é: não economizar nos detalhes e caprichar em tudo, desde o cartão da loja, quanto à vitrine e até no estacionamento. Assim é um lugar perfeitamente feminino!

2)    As mulheres procuram aprender o tempo inteiro!
Diferentemente dos homens, as mulheres não sentem vergonha de aceitar dicas de como usar e manter um produto, ou que está “in”, o que está “out”. Todo aprendizado é muito bem vindo para elas.

Está aí uma grande oportunidade para sua loja ter sucesso, que é informá-la sobre tudo do mundo da moda. Dê dicas de como amarrar um lenço, comente sobre desfiles internacionais, presentei-a com a última cor de esmalte, ajude-a a definir seu estilo. Enfim, torne sua cliente uma expert em moda, que ela vai relacionar sua loja ao “lugar onde ela se atualiza e compra com segurança!”

E o melhor de tudo isso: assim como elas aprendem, elas ensinam! As mulheres adoram repassar aquela “dica esperta” para outras, e neste passe-e-repasse o nome da sua loja aparece com certeza!
3)    As mulheres adoram criar conexões!
Elas se sentem mais seguras quando estão “conectadas” a outras mulheres. Isto não tem nada a ver com conexões de rede ou algo do mundo virtual. Estas conexões se referem a elos que as unem umas às outras.

Acredito que você já deve ter presenciado em sua loja ou em algum atendimento uma situação assim: é final de setembro, uma nova cliente entra na loja, e percebe que alguma vendedora está recebendo vários cumprimentos de parabéns, pois é aniversário dela. A nova cliente, mesmo sem conhecer a vendedora, imediatamente fala: é seu aniversário hoje? Então você é de libra? Conheço você bem, então, minha mãe também é de libra... E dali em diante se desencadeia uma longa conversa sobre signos, depois pode se partir para gastronomia, moda , viagens e por aí vai.

Conclusão : duas mulheres que nunca tinham se visto, passam a ter várias coisas em comum, e a nova cliente sai muito satisfeita porque criou “conexões”. E ela vai sempre querer voltar naquela loja porque se sente segura lá, pois é um lugar onde as pessoas a conhecem.

Assim, a dica é: promova conversas com suas clientes, tenha equipe de vendedoras que gostem de conversar e tenham desenvoltura em diversos assuntos. Recheie as conversas com cafezinhos, docinhos e... sutis apresentações dos produtos. Com certeza, sua cliente vai querer ficar mais tempo na sua loja. Será o lugar perfeito para ela criar mais e mais conexões.

Enfim, se você vende moda para mulheres já é um varejista de sucesso.
E se aproveitar estas dicas, elas vão se apaixonar!

Boas vendas para mulheres!


Entre em contato comigo através do e-mail cristina@nmarinho.com.br ou pelo site www.nmarinho.com.br
Por: Cristina Marinho
Consultora especialista em marketing e comportamento do consumidor.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Marcas apostam na memória olfativa para atrair os clientes




Nada melhor que entrar numa loja e sentir um cheirinho super agradável. Melhor ainda sentir este cheiro em qualquer lugar e lembrar da loja na mesma hora. Isso tudo mostra quando a memória olfativa é importante e as empresas começam a perceber e apostar nisso.


No caso da Le Lis Blanc o aroma quer nos remeter à lembranças agradáveis. A marca foi uma das primeiras a comercializar perfumes para ambiente, um bom instrumento de sedução para o cliente.

Depois de lançar a fragrância Alecrim, chegou a hora da Le Lis Blanc apostar no aroma do Âmbar, com toque amadeirado e fragrância única. Os produtos da linha de Aromas Le Lis Blanc são comercializados em todas as lojas da rede.






Fonte:http://contextofashion.blogspot.com/2009/11/marcas-apostam-na-memoria-olfativa-para.html

Über Fashion

O Über Fashion existe desde 2009 e tem como publisher o blogger Fábio Monnerat.

O blog ainda conta com colunistas convidados.

O blog é indicado pelo EnModa e pelo curso de Fashion Business da FGV-RIO, já promoveu a abertura do verão de Búzios e faz palestras sobre moda masculina e comunicação de moda em todo o Brasil.

Alguns dos nossos parceiros: Handred, Cavalera, Profuse, Divertees, Poggio, Von Der Volke, Natura, Vichy, La Roche-Posay, Couthe, SkinCeuticals, Joias
Coacci, Sobre Barba,

Sua marca no Über, escreva para: ubermcom@gmail.com